domingo, 7 de agosto de 2011

O vestido mais importante da minha vida!


Olha ele aí, meu vestido vermelho



::O vestido mais importante da minha vida::
(sim, esse texto é de minha autoria, com ele ganhei uma promoção da revista manequim há alguns anos atrás)





Para entender porque o meu longo vestido vermelho de baile é o mais importante de minha vida, terei de começar a história pelo começo...


Minha vida não foi fácil, assim como também não é fácil a de muitos, mas sempre achei minha história de vida bastante interessante! E pensei: Por que não contá-la?


Fui criada por minha avó paterna e duas tias solteiras desde que nasci. Quando eu era muito pequena minha mãe foi embora para São Paulo, eu tinha apenas 01 ano de vida. Pouco convivi com meu pai, apesar de saber de sua existência e de morar com a mãe dele. Talvez por motivos próprios ele se mantivesse distante. Apesar de ter sido muito amada por minhas tias e minha avó, eu sentia muita falta de minha mãe e de meu pai, ou pelo menos da imagem que criei deles. Não entendia as razões das escolhas deles, afinal lá estava eu, pronta para ser amada (afinal eu era fofa e bochechuda quando pequena!) e eles não me procuravam... Nem nos meus aniversários... Até hoje posso afirmar que nunca recebi uma ligação de “minha mãe”.


Vivi com minha avó, minhas tias e em diversas casas, sempre, sempre estávamos nos mudando, moramos nas casas dos filhos, de prima de irmã de minha avó e de outros parentes. Sempre de favor na casa de outras pessoas, mas como eu era pequena, não percebia muito todas as dificuldades.


Em 1983, foi à pior fase financeira de nossas vidas, almoçávamos o que tínhamos e o que Deus permitisse. Às vezes comíamos pão com doce no almoço.

Eu estava começando minha adolescência e era uma fase complicada. Comecei a perceber todo o peso da vida e de nossas dificuldades. Fui uma adolescente “rebelde”, uma forma que encontrei para “limitar” meu espaço.


Foi nessa época de rebeldia que um irmão de minha avó me acolheu em sua casa em Brasília-DF. Fui sozinha. Posso dizer que estava cansada de viver de casa em casa, e achei interessante poder passar um tempo fora de minha cidade natal e vi a oportunidade de vivenciar outra cultura (ops, até hoje me pergunto se Brasília tem cultura própria!) e uma outra realidade diferente da minha. Lá eu estudei e tive oportunidade de ver coisas diferentes das quais eu não conhecia (estudei francês, adorava as festas de aniversário da cidade, a Festa dos Estados...). Apesar de estudar em escola pública, tive uma excelente educação. Minha tia muito me ensinou e me incentivou na vida. Comecei a trabalhar ainda ia fazer 15 anos, trabalhei em vários lugares, trabalhei numa associação de trabalhadores e em loja como vendedora, saía de casa as 4h30 da manhã e pegava dois ônibus até o local de trabalho, no aeroporto. Trabalhava de dia e estudava a noite. Foi assim até 1990 quando decidi retornar para Recife para ficar com “minhas mães”, na época era o que eu queria, apesar de não saber bem se essa era a melhor decisão, afinal, eu tinha acabado de passar em um concurso para o GDF (com 18 anos) e eu morava na “cidade das oportunidades de concursos”...Depois eu vim entender, pois minhas tias faleceram pouco tempo depois (ai de mim se não tivesse voltado!), ficando apenas minha avó. Meu pai ficou doente e veio morar com minha avó, foi quando aos vinte e poucos anos pude, por pouco tempo, conviver com meu pai.


Mas sentia que faltava preencher algumas lacunas em minha vida, queria fazer faculdade e conhecer minha mãe. Apesar de ser pobre, eu sempre soube que só conseguiria algo melhor se estudasse muito, e assim eu fiz. Sempre estudei. De tanto tentar “todos” os concursos eu acabei passando em um outro concurso  aos 26 anos fui chamada para assumir meu emprego que apesar de não ter carteira de motorista eu “aprendi” a dirigir em um mês, tirei carteira e me sentia apta (?) para dirigir cerca de 740 km de Recife a Petrolina. Apesar de assustada e com medo, eu fui!


Um dia fui enviada para fazer um curso em São Paulo (agora poderia, enfim, encontrar minha mãe!). E assim fui em frente, apesar da viagem esta com retorno marcado para uma sexta-feira, eu fiquei por conta própria até o domingo e através de parentes dela em Alagoas tinha conseguido seu endereço. Peguei um táxi (pasme, o nome dele era o nome do meu pai: Fernando!) Peguei um táxi que ficou me esperando na porta em frente a casa de “minha mãe” e bati na porta: “toc,toc,toc”. É Dona Maria José? (Nem precisava perguntar, ela é minha cara. Ou eu que sou a cara dela?! Risos). Ela disse: Sou sim! E eu disse: Sou sua filha Ana Paula. Imagine a emoção das duas. Enfim, conheci minha mãe. Voltei em São Paulo mais uma vez para encontrá-la e até hoje mantemos contato por telefone.


Consegui transferência


Apesar de triste, era um momento de mistura de perdas e ganhos em minha vida.


Eu sabia que merecia participar da formatura, com direito a baile e tudo. Eu sabia que minhas “mães” ficariam muito felizes.


Fui pagando a faculdade e as mensalidades todas em dia para que próximo a festa não houvesse mais nada de pendência financeira. Tudo saiu perfeito!!


Pensei em cada detalhe do bordado de meu vestido, de minha festa, a cor, modelo, todos os detalhes foram minimamente caprichados!


Ele seria a representação real do meu sonho...E assim eu fiz, fui montando cada detalhe: sapato, acessórios, maquiagem, cabelo, cor das unhas...Tudo era importante! Até a escolha da musica da entrada, que foi Dancing Queen, que significa: "Rainha da Dança".


Eu nunca pude ser princesa quando pequena, mas enfim, rainha eu seria por um dia, batalhei muito, sonhei com esse momento... Eu estava radiante, linda, realizada, afinal, eu tinha ao meu lado tudo o que tinha desejado: uma família, uma filha, emprego e minha faculdade de Psicologia. Foi um dos dias mais emocionante de minha vida, era uma realização de meu sonho, lembrando que em nossa vida: Vale à pena sonhar!


O vestido mais importante de minha vida foi meu vestido de formatura que usei no dia 04 de agosto de 2007, alguém duvida?




Aninha


10 comentários:

  1. Que linda história Aninha! Por isso é que voce é essa pessoa especial...delicada e amorosa. Soube fazer uma limonada com os limões que a vida lhe deu, lindo exemplo de vida, de luta, determinação. Parabéns!!! Preencheu minh anoite. Bj

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  2. Adorei sua história de vida Ana, você é mais um exemplo de que pobreza e dificuldade não muda o carater das pessoas...Bjus

    hptt://cafeecetim.blogspot.com

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  3. Cada vez que venho ler seu blog é com a certeza de que vou aprender mais uma coisa; ganhar exemplos e até carinho... Tudo o que você faz e fez prova a quantidade de amor e harmonia que ilumina seu rosto e envolve sua vida.
    Está ao seu lado é sempre um presente e sentir está perto apenas por ler essas experiências é um conforto...
    Talvez ainda não tenha dito, mas sinto orgulho de você; carinho, respeito e admiração!
    Bj...

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  4. Olá querida! Linda história...com certeza vc é uma pessoa iluminada! parabéns! adorei este blog e já estou te seguindo...venha conhecer meu cantinho e as borboletas que criei com tanto carinho!
    beijos mil!
    Rô.
    www.borboletascomamor.blogspot.com

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  5. Oi Aninha! Fiquei muito emocionada com tua história. Parabéns, você é uma vencedora e merece tudo que conquistou. Com certeza esse é o vestido mais importante de sua vida!
    Amiga, estou tão feliz, pois sou a visitante 19.000, já copiei, colei e te enviei.
    Bjos, Lú.

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  6. É muito gostoso vir aqui e ver tantas coisas lindas, bem feitas e com tanto capricho...adoro teu cantinho amiga!
    adorei sua historia tbem.

    Beijos
    hptt://cintiaartefrancesa.blogspot.com

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  7. Puxa Aninha, que emocionante! Mereceu mesmo ganhar o concurso. parabéns pela linda história de vida e pela superação de tanta dificuldade. E as pessoas ainda reclamam de suas vidas. Aprendi a te admirar mais ainda,. Grande beijo

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  8. Adorei ler seu texto minha amiga conterrânea,pernambucana arretada!!!Parabéns e que Jesus continue abençoando sua vida!!!Passando para conhecer e seguir as amigas do Blogueiras Unidas que também participo!!Bjsss

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